Página Inicial História da YMAA Portugal, por Pedro Rodrigues
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A história da YMAA Portugal remonta a 1991, altura que a situação da escola de artes marciais supostamente chinesas onde eu praticava tinha, na minha opinião, atingido o caos.

Tinha 21 anos de idade e 7 anos de treino. Era o cinturão negro mais frustrado do universo. Na verdade, eu só queria aprender gong fu (ou kung fu) e quanto mais lia e me informava, mais certeza tinha de que o que eu tinha aprendido era tudo menos a milenar arte chinesa. Foi então que decidi por mãos à obra e começar a procurar um mestre a sério. Mas em Portugal só havia Choy Lee Fat, ensinado pelo professor Rolando Martins, e de quem o meu “mestre”, na altura, semeava ódio e destruía a reputação, apesar de, o professor Rolando ter sido vice campeão europeu em formas, pela Chinese Kuo Shu Federation.

Influenciado pela onda negativa decidi, então, procurar um mestre de topo a nível internacional e, impressionado pelo filme “Ferro e Seda”, escrevi ao famoso Mestre Pan, Qing Fu, que atenciosamente, me respondeu com o seu impressionante currículo. Com a preciosa ajuda do meu querido e já falecido amigo, Mário Martins (de quem muitas saudades tenho), chegou-me às mãos o nome e algumas fotocópias de uma das obras do Dr. Yang, Jwing Ming.

Escrevi então para o Dr. Yang, contando toda a minha frustração. A sua resposta veio em Novembro desse ano com a referência dos seus Seminários em Paris, assim como, aos vídeos e livros para eu começar a aprender. Tomei a decisão de encontrar pessoalmente o Mestre Yang, pois tal como ele dizia “Quando há vontade há sucesso”. Paralelamente a isto, pedi a um tio meu em Londres, que me enviasse todos os livros do Mestre Yang e, recebi nada mais nada menos que onze desses espectaculares exemplares, o que me motivou ainda mais.

Em Março do ano 1992, eu e o meu companheiro de aventura Miguel Palma tivemos o primeiro contacto em Paris com o Mestre Yang e com o verdadeiro gong fu. Foi uma experiência única, cheia de peripécias que ainda hoje recordo com o Mestre Yang, às gargalhadas. Seria a primeira de muitas viagens em busca do sonho.

Ao chegar a Portugal partilhei o que aprendi com outros colegas e com o meu “mestre”. Mas em vez de gratidão, ridicularizaram o que aprendi. E, em vez de decepcionado, ganhei mais força e repeti a dose de Paris em Setembro desse mesmo ano. Convenci o Dr. Yang a vir a Portugal no mês de Outubro seguinte, altura em que se realizou o primeiro estágio da YMAA em Portugal.

Ao meu antigo “mestre” foi entregue o cargo de Presidente da YMAA Portugal, comprometendo-se este a cumprir e a seguir os seus regulamentos. Assim a YMAA Portugal foi fundada e, no YMAA News de 15 de Dezembro de 1992, o nº 24, a sua existência foi oficialmente reconhecida.

Em 1993 voltei a fazer dois seminários em França, com mais parceiros de aventura e uma nova aposta. A viagem foi um sucesso.

Depois de uma forte pressão sobre o Presidente da YMAA de Portugal daquela altura, cuja atitude de dúvida e desconfiança comprometia a evolução de quem estudava os ensinamentos da YMAA, conseguimos trazer de novo o Mestre Yang em Março de 1994. A atitude de suspeita deste Presidente fazia-lo perder a oportunidade de ele próprio aprender gong fu, pois receava a introdução dos verdadeiros conhecimentos.

Apesar de tudo isto, eu, o Miguel Palma, o Victor Casqueiro, o Paulo Gonçalves, a Aziza Amade e o António Vilela fizemos aquela que seria a mais emocionante de todas as aventuras: um mês de treino na escola YMAA de Boston. Foi, simultaneamente, assustador e elucidativo o nível das artes marciais chinesas de lá, e a nossa longa distância a percorrer. Outro dos pontos altos dessa viagem foi o encontro com o Grão-Mestre Li, Mao-Ching.



Em Setembro desse ano a nossa experiência na YMAA Boston ficou registada no YMAA News, Nº 31, num artigo intitulado “Acorda”.

No entanto, nem tudo eram rosas, pois em Portugal, o nosso Presidente continuava a violar o acordo que tinha com a YMAA e, auto-proclamando-se mestre de mais de cinco estilos de gong fu (sem, contudo, ter nenhum comprovativo de graduação ou reconhecimento oficial), insistia em fazer alterações nos ensinamentos do Mestre Yang. Informado sobre esta situação, o Dr. Yang fez um ultimato, no sentido de se estabelecer a ordem. Foi também nessa altura que ocorreu a primeira divisão na YMAA. Alguns alunos participantes na viagem a Boston, nos quais eu não me incluía, resolveram abandonar a escola para seguirem os estudos sozinhos. Não apoiei esta iniciativa pois não podia envolver toda a escola e também porque o esforço colectivo era muito apreciado pelo Mestre Yang.

Em 1995, é realizado um contrato escrito entre o Presidente da YMAA Internacional e o Presidente da YMAA Portugal. Neste contrato, o Presidente da YMAA Portugal comprometia-se a obedecer estritamente a todos regulamentos da YMAA, em Portugal. E assumi pessoalmente a difícil tarefa de ensinar o Presidente da YMAA, em Portugal, numa tentativa de credibilizar ao máximo a sua posição e, ao mesmo tempo, para ter a certeza de que se as coisas não corressem bem, eu tinha tentado de tudo.

Em Agosto de 1996, o Mestre Li, Mao-Ching visitou Portugal, juntamente com o Mestre Yang e alguns alunos de Boston, entre os quais o filho do Dr. Yang, James C. Yang.

No entanto, foi também neste ano que o Presidente da YMAA Portugal resolveu, de novo, violar o contrato com a YMAA Internacional. A troco de vantagens monetárias, ensinou, sem conformidade, elementos do programa de treino da YMAA a praticantes de uma escola situada a norte do país, não só enganando as pessoas mais uma vez, como mostrando não ter verdadeira intenção e honestidade no cargo que desempenhava.

Em Outubro desse ano separo-me oficialmente da escola em Portugal, para abrir uma alternativa dentro da YMAA. Muitos alunos seguiram-me com o desejo de uma mudança para melhor.

Em Janeiro de 1997, o Presidente da YMAA Portugal demite-se abandonando a organização e sou nomeado pelo Mestre Yang para o respectivo cargo, o qual desempenho até hoje, nascendo a nova YMAA Portugal com duas escolas, uma em Amadora e uma em Almada.

Em Março de 1998, com a minha graduação e a do Victor Casqueiro no sexto nível de Shaolin (Instrutores Assistentes) a escola da Amadora passou de provisória para sucursal, mantendo-se a de Almada como provisória, sendo seu director o Tony Chee.

Em 1999, a YMAA ganhou estrutura legal, ao ser constituída a sua representação legal - Associação de Artes Marciais Yang Portugal (AAMYP), com publicação no Diário de República Nº279, III Série, de 3 de Dezembro de 1998. Além disso, expandiu-se também para o norte com a abertura de uma nova escola em Viseu, tendo como director o José Augusto.



Os objectivos futuros da YMAA têm essencialmente duas vertentes, o fortalecimento e a divulgação. Acredito sinceramente no conhecimento e este será sem sombra para dúvidas, a chave do sucesso. Pessoalmente procurarei inscrever o meu nome em todas as graduações dos programas da YMAA. Tenho a noção do seu grau de dificuldade, mas só assim haverá credibilidade para expandir.

Espero que todos os alunos entendam, especialmente os mais graduados, que existe a necessidade de haver mais graduados, não só em Shaolin mas também em Taijiquan.

A graduação envolve não só a prática mas também a teoria, disponível em livros, seminários e nas aulas. A formação de um Instrutor da YMAA tem de ser mais abrangente, pois só assim o tradicionalismo poderá ser respeitado no contemporâneo.

Tendo em consciência esta raiz, muitos serão os frutos a colher: possibilidade de realização de exames pelos Instrutores, capacidade de realização de seminários com maior número de horas e a criação de um padrão ao nível técnico na abertura de novas escolas.

O desporto será o meio de reconhecimento técnico (ou pelo menos um dos possíveis) ao nível mais imediato, pois a YMAA é posta em confronto com as outras escolas e ganhar não deixa de ser um atestado de qualidade. Apesar de ser exercido por lazer, leva ao reconhecimento pelo meio específico. Este é o método usado pela YMAA Boston e que tem tido resultados positivos em Portugal. No entanto, gostaria de ver mais pessoas a competir e acredito que os benefícios superam os pontos negativos.

E xpor o trabalho e sonho do Mestre Yang será o meu maior objectivo. Ao nível das classes, pretendo trazer novas faixas etárias para a YMAA, pois se as classes seniores estão bem implantadas, as júnior quase não existem e a terceira idade é mesmo inexistente. Como tal existem já algumas iniciativas de modo a colmatar estas lacunas envolvendo a YMAA no campo social e ocupacional dos tempos livres , o que seria muito gratificante para mim.

Manter a consistência dos seminários e (num futuro próximo) aumentar a sua duração, assim como, variar o local da sua realização, permitirá trazer novas disciplinas e novos interessados, bem como, apoiar as escolas no seu desenvolvimento.

A obra do Mestre Yang é o exemplo da posteridade que ele deseja para as Artes Chinesas, a sua tradução para português (livros e cassetes vídeo) está em estudo apesar das dificuldades que um mercado tão pequeno como o nosso apresenta. Espero conseguir fazê-lo aqui em Portugal seguindo as escolas da YMAA na Europa.

São muitos os passos a dar para poder participar no sonho. Existem prioridades diferentes nas vidas de cada um, mas oportunidades de ajudar a Arte a ter o respeito e a admiração que merece na comunidade não faltarão. A Arte nunca desaponta, nós sim podemos frustrar a manifestação da Arte.


Associação de Artes Marciais Yang Portugal
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