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Antes
de entrar-mos nas diferenças entre os estilos externos e os estilos
internos, devem de reconhecer um ponto importante: todos os estilos Chineses,
internos e externos, vêm da mesma raiz. Se um estilo não
partilha esta raiz, então não é um estilo marcial
Chinês. A raiz de que falo é a cultura Chinesa. Por todo
o mundo, as varias raças criaram artes muito diferentes, cada uma
delas baseada no conhecimento cultural. Como tal, não interessa
de que estilo estejamos a falar, se foi criado na China, tem de conter
a essência da arte Chinesa, o espirito das virtudes tradicionais
Chinesas, e o conhecimento das técnicas tradicionais de luta que
têm sido transmitidas por milhares de anos.
Os artistas marciais dos tempos antigos ao analisar as suas
experiências concluiram que num combate existem três
factores que decidem uma vitória. Estes três
factores são a velocidade, força e técnica.
De um modo geral, a velocidade é a mais importante
das três. Isto simplesmente porque, se fores rápido,
poderás chegar ás áreas vitais do teu
oponente mais facilmente. Mesmo que a tua força seja
fraca e apenas possuas um numero limitado de técnicas,
continuas a ter uma boa chance de infligir sérios danos
no teu oponente.
Se já possuis velocidade, então o que precisas
é de força. Mesmo que sejas rápido e
possuas uma boa técnica, se não tiveres força
os teus ataques e defesas não serão tão
eficientes. Poderás já ter conhecido pessoas
com um enorme poder físico sem qualquer treino marcial
que já derrotaram artistas marciais habilidosos mas
que não tinham força. Finalmente, uma vez que
possuas boa velocidade e força, se conseguires desenvolver
uma boa técnica e uma estratégia sensata, então
não haverá duvidas que a vitoria será
tua. Como tal, nas artes marciais Chinesas, mais do que o
estudo das técnicas, aumentar a velocidade e desenvolver
a força são as disciplinas mais importantes.
Na verdade o treino da velocidade e da força são
considerados as fundações do sucesso em todos
os estilos de artes marciais Chineses.
Não interessa que tipo de técnicas um estilo cria, estas
têm de seguir certos princípios e regras básicas.
Por exemplo, todas as técnicas ofensivas e defensivas tem de proteger
de modo eficiente os olhos, garganta e virilhas. Naturalmente, quando
atacas, tens de ser capaz de chegar ás áreas vitais do teu
oponente sem expores as tuas. Aplica-se o mesmo em relação
ao treino da velocidade e da força.
Embora cada estilo tente manter os seus métodos de
treino secretos, eles seguem as mesmas regras gerais. Por
exemplo o desenvolvimento da força muscular não
deve ser em detrimento da velocidade, e o desenvolvimento
da velocidade não deve diminuir a tua força
muscular. Ambos devem de ser tratados com a mesma preocupação.
Além disso, os métodos de treino que usas ou
desenvolves devem de ser apropriados ás técnicas
que são características do teu estilo. Por exemplo,
nos estilos águia e grou, a velocidade e a força
de agarrar são de extrema importância e como
tal é um tipo de treino que se deve dar ênfase.
De acordo com os documentos disponíveis, antes da dinastia
Liang (540 D.C.), os artistas marciais não estudavam
como usar o Qi para aumentar a velocidade e a força.
Depois da dinastia Liang os artistas marciais aperceberam-se
da importância do treino do Qi para desenvolverem a
velocidade e a força, tornando-se uma das maiores preocupações
em quase todos os estilos. Por causa disto, nós devemos
discutir este assunto dividindo-o em duas eras. O ponto de
divisão deve de ser a dinastia Liang (540 D.C.), quando
Da Mo pregava na China.
Antes de Da Mo, mesmo que os princípios do Qi fossem
largamente estudados e aplicados na medicina Chinesa, não
eram usados nas artes marciais. A velocidade e a força
eram geralmente desenvolvidos pelo treino continuado. Mesmo
que o treino desse ênfase à concentração
da mente, eles não deram o passo seguinte que liga
isso ao desenvolvimento do Qi. Em vez disso eles concentraram-se
apenas na força muscular. Por esta razão, são
classificados de estilos externos.
Depois, o Imperador Liang Wu convidou o monge Indiano Da Mo
para ir á China pregar Budismo. Quando o imperador
não concordou com a filosofia Budista de Da Mo, o monge
atravessou o Rio Amarelo para chegar ao Templo de Shaolin.
Ele viu que muitos dos monges eram fracos e adormeciam durante
as suas palestras. Decidiu então meditar para descobrir
como ajudar os monges. Depois de nove anos a meditar numa
caverna, ele escreveu dois clássicos, o Yi Jin Jing
( o Clássico da Mudança dos Músculos
e dos Tendões) e o Xi Sui Jing ( o Classico da Lavagem
do Cérebro e da Medula). Depois da morte de Da Mo,
os padres de Shaolin continuaram a praticar os seus métodos,
especialmente o Yi Jin Jing, para fortalecer o corpo e o espirito.
Depressa se aperceberam que o treino não só
os tornava mais saudáveis, mas também os fazia
mais fortes. Nesses tempos, até os padres necessitavam
de saber artes marciais para se protegerem dos bandidos. Quando
combinaram o treino do Qi com as técnicas tradicionais
de defesa tornaram-se lutadores muito eficientes. Assim que
as técnicas de Da Mo se espalharam do Templo de Shaolin,
muitas formas de Qigong marcial foram desenvolvidas, Isto
é discutido mais detalhadamente no “Muscle/Tendon
Changing and Marrow/Brain Washing Chi Kung” do Dr. Yang.
O Yi Jin Jing originalmente não foi criado para combater. No entanto,
o Qigong marcial criado apartir dele, tinha a capacidade de aumentar de
forma significativa a força, como tal tornou-se numa disciplina
necessária no templo de Shaolin. Isto teve um efeito revolucionário
nas artes marciais Chinesas, conduzindo-as ao estabelecimento de uma fundação
interna baseada no treino do Qi.
Pouco tempo depois da morte de Da Mo, diversos estilos marciais
eram criados que davam ênfase a um corpo suave em vez
do corpo musculado e rijo desenvolvido pelos padres de Shaolin.
As razões para isto eram muito simples. Eles acreditavam
que uma vez que o Qi (energia interna) era a raiz e a fundação
da força fisica, um artista marcial deveria primeiro
construir essa raiz interna. Quando o Qi é abundante
e cheio, este pode energizar o corpo físico a um nível
elevado para que a força possa ser mais eficiente e
efectiva quando manifestada. No entanto para desenvolver o
Qi e faze-lo circular fluidamente, o corpo tinha de estar
relaxado e a mente concentrada. Nós sabemos pelo menos
de dois estilos internos que foram criados neste período
(550-600 D.C.): Hou Tian Fa (Técnicas do Poste do Céu)
e Xiao Jui Tian (Nove Pequenos Céus). De acordo com
alguns documentos, estes dois estilos seriam as origens do
Taijiquan, a criação que é atribuída
a Chang San-Feng nos finais da dinastia Song (cerca de 1200
D.C.).
As diversas artes marciais são divididas em estilos internos e
externos. Enquanto que os estilos externos dão ênfase ao
treino das técnicas e ao desenvolvimento do corpo através
do treino de algum Qigong marcial, os estilos internos dão ênfase
ao desenvolvimento do Qi no corpo. De facto, contudo, todos os estilos,
tanto externos como internos, contêm o treino do Qigong Marcial.
Os estilos externos treinam primeiro o desenvolvimento do corpo físico
e o Qigong duro, e gradualmente tornam-se mais suaves, passando ao treino
do Qigong suave, enquanto que os estilos internos treinam Qigong suave
primeiro, e mais tarde aplicam o Qi desenvolvido ás técnicas
físicas. Diz-se que: ” Os estilos externos partem do duro
para o suave e os estilos internos do suave para o duro, os caminhos são
diferentes mas o objectivo final é o mesmo.” Também
se diz que: ”Estilos externos são do externo para o interno,
enquanto que os estilos internos são do interno para o externo.”
Novamente diz-se que: “Estilos externos primeiro Li (força
muscular) depois Qi, enquanto que os estilos internos primeiro Qi depois
Li.”
A discussão prévia deve-te ter dado uma ideia
básica de como distinguir os estilos externos dos internos.
Frequentemente , os estilos externos e internos são
julgados pela maneira como manifestam o Jing. Jing é
definido como “Li e Qi,” (Li significa força
muscular). É acerca de como os músculos são
energizados pelo Qi e como isto se manifesta externamente
em forma de força. Diz-se que “os estilos internos
são suaves como um chicote. Os estilos suaves e duros
(metade externos e metade internos) são como junco,
e que os estilos externos são como um bastão.”
Se estão interessados nesta vasta disciplina , por
favor recorram aos livros do Dr. Yang “Advanced Yang
Style Tai Chi Chuan, Vol1” ou a futura publicação
da YMAA “Qigong Marcial.”
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